segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Variedades de MANGAS


A BOURBON é uma variedade tradicional, muito antiga, de sementes poliembriônicas foi multiplicada através de sementes por todo o Brasil. Cor verde amarelada, ótimo sabor, muito suscetível a todas as doenças, malformação, oídio, antracnose e seca-da-mangueira. Tem variabilidade na população. Alguns clones produzem fora de época.


A ESPADA STAHL é uma seleção dentro da variedade Espada feita pelo Senhor Lúcio Stahl, em Engenheiro Coelho, SP. É mais precoce que a Tommy Atkins, frutos médios (400 gs), altamente produtiva, com pouca antracnose e mosca-das-frutas. Alto benefício/custo.


A manga ROSA, também denominada Rosa da Bahia ou Rosa de Pernambuco, é uma variedade brasileira tradicional, muito precoce sendo colhida antes da Tommy Atkins, com muito aroma e bom sabor. É totalmente resistente à Fusariose (mal-formação).


A variedade COQUINHO é uma das poliembriônicas mais antigas. É muito produtiva, utilizada para suco, tem aceitação no mercado como manga de mesa e é um dos melhores e mais utilizados porta-enxertos no Brasil, embora seja muito suscetível ao fungo Ceratocystis fimbriata causador da Seca-da-mangueira.


A variedade COITÊ é uma variedade tradicional brasileira, poliembriônica, terebentinosa, muito cultivada no Estado do Ceará. Tem habilidade para produzir naturalmente o ano todo. Manga grande com 600 gs tem dentro da população uma grande variabilidade existindo também uma variação com frutos pequenos.



A variedade MANILA (CARABAO), é uma poliembriônica, originária das Filipinas e é a principal variedade cultivada no México para o mercado interno. Do México foi trazida para o Brasil pelo Dr. Edgar dos Santos Normanha, pesquisador do IAC e devidamente introduzida pelos pesquisadores Nilberto Bernardo Soares e Raul Soares Moreira da Seção de Frutas Tropicais e Emílio Bruno Germeck da Seção de Introdução.

PROBLEMAS DE NOMENCLATURA VARIETAL EM MANGA

1 – Há variedade de manga com dois nomes. Exemplos: A manga Ubá de Minas Gerais é denominada Jasmin em São Paulo. A manga Bourbon de São Paulo é denominada Espada na Bahia.

2 – Há variedades diferentes de manga com o mesmo nome. Exemplos: A manga Espada da Bahia e a Espada de São Paulo são duas variedades diferentes com o mesmo nome Espada. A manga Pêssego da Bahia é uma manga grande (450 gs) mas outra manga também denominada Pêssego é pequena (110 gs). Esta última é de fato a Ourinho.

3 – Há variedades de mangueira com nome errado. Um exemplo é a variedade IAC 101 Coquinho que na verdade é Ourinho. A variedade denominada pelo IAC de Carabao, utilizada como porta-enxerto, parece ser a variedade Manila. Outro exemplo é a variedade Surpresa da Embrapa de Sete Lagoas, que parece ser a americana Duncan.


No livro “Variedades de Manga da Flórida” a variedade Carabao tem o sinus menos acentuado e o fruto maior com 270-440 gs enquanto Manila tem o sinus acentuado e os frutos são menores 180-260 gs. A variedade Manila é mais cultivada no México do que a Carabao. Ambas são poliembriônicas originárias das Filipinas. A variedade introduzida pelo IAC é manga de 200-250 gs e sinuosa, semelhante à Manila.



A UBÁ é variedade brasileira originada da cidade de Ubá, MG. Semente poliembriônica, ciclo semi-tardio, sabor excepcional, muito produtiva mas não regular. É a principal variedade para produção de suco no Brasil.


A OURINHO é cultivar brasileira com semente poliembriônica, rústica, frutos pequenos (70 a 100gs), bom sabor, ciclo tardio, boa prateleira.Tem bom nicho de mercado na cidade de São Paulo.Em geral é colhida no chão, debaixo da árvore. É muito suscetível à mal-formação (Fusariose).

INTRODUÇÕES DE MANGUEIRAS MONOEMBRIÔNICAS

1 – Introdução da Haden na década de 30.

2 – Introdução de novas variedades americanas na década de 60: Tommy Atkins, Palmer, Van Dyke, Keitt, Kent e outras.

3 – Novas introduções na década de 90: Mallika

4 – Introduções recentes: Joa, Néldica, Heidi, Ataulfo e Manzanilo.

5 – Introduções de outros Estados: Alfa, Roxa, Lita, Beta, Surpresa e Espada Ouro de Itaparica (poliembriônica).

6 – Introduções de outros programas e coletas no Estado de São Paulo: Natalina (UNESP), Bourbon Vermelha (poliembriônica) e Stein (poliembriônica).

A HADEN é filha da Mulgoba, selecionada na Flórida em 1.910, sendo portanto uma variedade quase centenária. Foi introduzida no Brasil em 1931. É padrão de beleza. Muito suscetível às pragas, doenças, excesso de calor, deficiência de Boro e frio no florescimento

A TOMMY ATKINS é filha da Haden com pai desconhecido. Foi selecionada na Flórida na década de 40 e introduzida no Brasil na década de 60. Substituiu a Haden, a Coração-de-boi e a Bourbon. É a variedade mais cultivada do Brasil e a principal manga de exportação em todo o mundo.

A VAN DYKE é cultivar americana, de pais desconhecidos, selecionada em Miami, Flórida, propagada comercialmente na década de 50 e introduzida no Brasil na década de 60. É precoce, resistente à antracnose, frutos pequenos (300 gs), muito atrativos, bom sabor, boa de prateleira. Muito suscetível ao amolecimento interno dos frutos.

A PALMER, de pais desconhecidos, foi selecionada em Miami, Flórida, EUA e descrita em 1949. Foi introduzida no Brasil na década de 60 e se adaptou muito bem, tornando-se junto com a Tommy Atkins uma variedade dominante. Na foto acima os frutos estão verdes.

A KEITT é filha da Haden (irmã de Tommy Atkins) plantada em 1939 em Homestead, Flórida e foi introduzida no Brasil na década de 60, junto com a Palmer, Van Dyke, Irwin, Rubi e outras americanas. É a variedade mais tardia. É manga grande, mas o clone denominado de Keitt pequena tem tamanho normal e as frutas são mais coloridas.

VARIABILIDADE GENÉTICA DA CULTIVAR KEITT.

Algumas seleções de Keitt pequena se mostraram genéticamente distintas da Keitt normal.


A KENT é filha da Brooks descrita em 1.945 na Flórida, EUA. Introduzida na década de 60. É de ciclo semi-tardio (igual a Palmer). Frutos grandes (400 – 600 gs). É uma das preferidas pelo mercado Francês. Na foto acima os frutos estão verdes.


A MALLIKA é derivada do cruzamento Neelum x Dashehari feito em 1.972 pelo Instituto Indiano de Pesquisa Agrícola e introduzida no Brasil pela EMBRAPA Cerrados em 1.980. É monoembriônica, ciclo semi-tardio (=Palmer), muito suscetível à oídio, frutos de tamanho médio (450 gs), cor amarela, ótimo sabor, boa prateleira, planta de porte baixo.

A SURPRESA é uma seleção da EMBRAPA Cruz das Almas, BA, embora seja provavelmente uma cultivar americana (DUNCAN). Amarela, monoembriônica, tamanho médio (400 gs), bom sabor, sem fibra, boa de prateleira, produtiva, resistente à antracnose, tolerante a oídio, ciclo entre Tommy Atkins e Palmer. Sua principal limitação é a alta suscetibilidade à malformação (Fusariose).

A ALFA é uma variedade brasileira obtida pela EMBRAPA Cerrados resultante do cruzamento Mallika x Van Dyke. É a mais resistente à antracnose, com bom comportamento em Votuporanga, no Estado de São Paulo, rústica, produtiva, com boas qualidades dos frutos (435 g), visual atrativo, bom sabor, boa de prateleira e mesmo ciclo da Tommy Atkins.

A cultivar ROXA foi obtida pela Embrapa Cerrados, do cruzamento entre as cultivares Amrapali e Tommy Atkins. É monoembriônica, produtiva, tamanho médio (300 gs) frutos com polpa adocicada, Brix 20% e acidez baixa 0,12%, com relação Brix/acidez alta (160). É tão doce que torna-se alvo predileto de pássaros e vespas. Apresentou todavia podridão e amolecimento interno da polpa nas condições de Votuporanga – SP, inviabilizando sua recomendação para o cultivo em São Paulo.

A cultivar NATALINA é um híbrido novo, monoembriônico, lançado pela UNESP Jaboticabal, selecionada em 1999. É tolerante a oídio, tem boa produtividade, sabor e aparência dos frutos. Ciclo normal (=Tommy Atkins). Tem variação grande no tamanho dos frutos de 165 gs (a esquerda) a 360 gs (a direita).

A CORAÇÃO-DE-BOI STEIN é uma variedade brasileira selecionada pelo viveirista José Paulo Stein, de pé franco, de pais desconhecidos, no município de Limeira, SP. É semi tardia, poliembriônica , produtiva, frutos grandes (600 gs). Brix 14,6, acidez 0,17 e relação brix/acidez 85,9. Muito rica em vitamina C.

A BOURBON VERMELHA é uma variedade brasileira selecionada pelo senhor José Paulo Stein, de Limeira, SP. Seu nome é cosmético sendo a sua origem desconhecida. Resistente à antracnose, ótimo sabor, pode ser comida com casca, ciclo semi-tardio. A penca precisa de desbaste e os frutos são frágeis.

Dr. Carlos Jorge Rossetto
Pólo Regional do Noroeste Paulista/DDD/APTA
Caixa Postal 61, Votuporanga, SP
rossetto@iac.sp.gov.br

4 comentários:

Diego Matias disse...

Muito interessante essa organização, com ela fica fácil reconhecer as especies e plantar mudas de nossa prefencia. Obgada!

Anônimo disse...

Conhece a manga Soares Gouveia? Estou procurando mudas dessa espécie .

SHAMI disse...

Bom dia
É um enorme prazer descobrir esta postagem,no dia em que "procurava"informações sobre a manga BOURBON,que tivemos por longa data no quintal de casa em Votuporanga.
Parabéns
mario sergio

Marcia Zaros disse...

Nossa uma aula completa sobre mangas....adorei...muita gente nem sonha sobre essas diferenças....e percebi como tem tanta gente chamando a manga coquinho de rosa....nada haver....

No You, It´s 4shared

Mais saborosos cogumelos

Olha a onda aiiii gente....

Olha a onda aiiii gente....
Seguindo rumo a 2012...